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"Somos Todos Migrantes nessa Terra"

Em Junho, somos convidados a refletirmos sobre a nossa condição de "migrantes da fé" a partir dos desafios das migrações contemporâneas, isto é , nos conscientizar

sobre a questão das “Mobilidades Humanas”. De fato, teremos a "comemorar" , em três datas diferentes este fenômeno social: dia 19, Dia do Migrante; dia 20, Dia do Refugiado; dia 25, Dia do Imigrante.




Se do ponto de vista jurídico e semântico essas três palavras são diferentes, do ponto de vista de nossa responsabilidade como comunidade, elas exigem de nós a mesma resposta: uma conversão pastoral .


O migrante refugiado e imigrante são uma provocação sócio-teológica para cada um de nós. É a nossa capacidade de acolhida do outro que é provocada .


Qual é a nossa relação com estes irmãos e irmãs, que por vários motivos tiveram de deixar as suas terras de origem para morar no meio de nós? Eles encontram espaço nas nossas comunidades para compartilharem as suas experiências de alegrias e dores? damos de nosso tempo para ouvi-los, conhecê-los? Vemos neles um lugar teológico, isto é de encontro com Deus? São questões que podem nos ajudar a refletirmos sobre esta questão neste mês de Junho individualmente ou em comunidade em vista de assumirmos isso como um compromisso pastoral.


A Bíblia, os documentos e a própria história da Igreja podem nos ajudar muito neste caminho de conversão.


Na Sagrada Escritura, a imigração é vista tão como uma questão social quanto espiritual. O povo de Israel na sua relação com Deus como com os outros povos é apresentado como um povo peregrino, à busca da terra prometida.


O próprio Senhor Jesus Cristo é apresentado como modelo de “estrangeiro”, de “peregrino” sempre em caminhada desde a sua infância até a sua morte na Cruz e sua ascensão aos céus.


As primeiras comunidades cristãs, retomando esta ideia, entendem-se também como “Povo a caminho”.


Esta leitura bíblica é aprofundada pelos documentos posteriores da Igreja. Com efeito, diante de situações concretas de mobilidades humanas, a Igreja católica por meio de documentos e gestos no decorrer da história levantou a voz para denunciar as injustiças que aconteciam em contextos migratórios e mostrar toda a sua solicitude para com os imigrantes e refugiados.


As comunidades, à luz da palavra de Deus e do Magistério, se organizaram para acolher em nome da sua fé nas suas casas e inserir nas comunidades, imigrantes ou refugiados.


A atenção particular que o Papa Francisco dá ao assunto é nada mais que uma chamada para a Igreja voltar a ser como as primeiras comunidades. A nossa atuação pastoral em contexto das migrações não deve ser apenas uma assistência social, mas, ao acolhermos esses irmãos e irmãs, estaremos vivenciando a nossa própria caminhada de peregrinação na fé.


As migrações são um verdadeiro lugar de conversão, “lugar teológico” e “sinais” para os nossos tempos. Porque afinal, todos “somos estrangeiros e peregrinos nessa terra” ( Hb 11, 13).


Mbaidiguim Djikoldigam

SOMI-JPIC CMF

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