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Por uma justiça social que vai além da simples distribuição de riquezas

Anualmente, celebra-se o Dia Mundial da Justiça em 20 de fevereiro. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas(ONU), em 26 de novembro de 2007, de acordo com a Resolução A/RES/62/10, sendo comemorada pela primeira vez em 2009. Entre as principais ações a serem atingidas com esta iniciativa está a eliminação da pobreza, o bem-estar da população e o fim de qualquer tipo de discriminação dentro da sociedade.

O conceito tem raízes na definição clássica que se encontra em Platão e Aristóteles: justo é dar a cada um o que é devido. Sentido adotado por Santo Tomás de Aquino, e retomado no século XVIII por Louis Taparelli d’Azeglio, jesuíta e herdeiro do pensamento tomista. Esse discípulo de Santo Inácio de Loyola foi o primeiro a utilizar a expressão justiça social, deduzindo-a da justiça geral (GASDA, Élio, 2017). Mas o que a Igreja nos ensina sobre a Justiça Social?

A ideia de justiça social aparece pela primeira vez no Magistério da Igreja em 1931 na Encíclica Quadragesimo anno do Papa Pio XI. O ensinamento social da Igreja, fundamentando-se sobre o princípio da dignidade da pessoa humana criada à imagem e semelhança de Deus Gaudium et spes, n.29) e sobre o princípio do destino universal dos bens (Gaudium et spe, n.69), defende uma justiça social que vai além das políticas de distribuição de riqueza, que reco-

nhece as pessoas e grupos discriminados em sua dignidade, e respeitosa do meio ambiente. Como explica Élio Gasda, para o ensinamento social cristão:

“o alcance da justiça social é simultaneamente, a redistribuição de riqueza e o reconhecimento do outro como imagem e semelhança divina. O amor a Cristo, aos irmãos e o anúncio do Reino de Deus são sua força inspiradora. A prática da injustiça invalida as orações, a liturgia e as peregrinações (Is 58,3-5, Am 5,21-25; 8,4-8; Jr 7,3-7). Ela é tão central na vida cristã que “ninguém pode sentir-se exonerado da preocupação pelos pobres e pela justiça social” (Evangelii Gaudium, n. 201). Felizes os perseguidos por causa da justiça porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5,10). Em última instância, sabemos o que é justiça social quando olhamos nos olhos dos pobres” (GASDA, Élio, 2017).

Portanto, celebrar o Dia Mundial de Justiça Social é uma oportunidade para reavivar a opção evangélica pelos pobres. Os empobrecidos estão sempre no centro das nossas ações como indivíduo e comunidade de discípulos de Cristo?

Mbaidiguim Djikoldigam, SOMI-JPIC Brasil


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