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O agir cristão em tempos de pandemia

Atualizado: Mar 27

A pandemia de Covid-19 é hoje a nova ameaça à vida humana no planeta e isso interpela o povo de Deus: o que fazer? Rezar pedindo a intervenção divina é importante, mas não é tudo. Muito poderá ser feito em defesa da vida, além das precauções sanitárias e dos cuidados médicos – que são ações imediatas. Portanto, diante desta pandemia, gostaríamos de destacar, sobretudo, o que ela representa como desafio à solidariedade social. Pois como afirma a comissão nacional de Justiça e Paz de Portugal: “só nesse espírito ela poderá ser vencida”.

Uma pandemia, de fato, faz correr o risco de ver no outro uma ameaça, alguém que nos pode contaminar. Há o risco de que prevaleça a mentalidade do “salve-se quem puder”, ou “cada um por si”. Também há o perigo do reforço da xenofobia, quando se encara o estrangeiro como potencial transmissor. Portanto, o combate à Covid-19 exige uma consciência mais apurada do bem comum. Só unidos poderemos superar o desafio.



Segundo o compêndio da Doutrina Social da Igreja, a solidariedade não “é um sentimento de compaixão vaga ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas próximas ou distantes. Pelo contrário, é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum; ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos” (193). Portanto, ao falar da solidariedade nesses tempos de pandemias, não podemos apenas nos parar nas palavras. É preciso que o nosso agir acompanhe as nossas palavras, tendo como fim a justiça, orientada pelo bem comum. .

A primeira atitude fundamental a ter nesse tempo de pandemia é como recomenda a Comissão Nacional de Justiça e Paz do Portugal, não pensar apenas nos perigos que corro que serão maiores ou menores, mas nos riscos que correm outros, as pessoas mais vulneráveis, ou seja, não há que pensar tanto na contaminação de que eu possa ser vítima, mas na contaminação que eu, sem o saber, possa provocar noutros. É, portanto, importante, ter a consciência do bem comum que nos leva a ter em conta a repercussão social de cada um do nosso comportamento, por mais insignificante que possa parecer. Há que pensar no que sucederia se o meu comportamento se generalizasse, no bem, ou no mal, que decorreria dessa generalização. Pensar desse modo faz toda a diferença. Há que dar todo o apoio aos grupos mais vulneráveis, como os idosos, evitando todos os modos que eles tenham que se expor a riscos (fazendo compras por eles, limpando a casa deles, por exemplo). Que um dos efeitos desta pandemia seja o reforço da consciência coletiva de que somos todos diferentes, que muitos são mais pobres e necessitados do amor do próximo, ou seja, carentes de cada um de nós (se pode pensar em ação coletiva em fazer doações de itens de higiene para os moradores de rua de favelas). E há que dar todo o apoio aos profissionais de saúde, que nesta difícil situação se entregam sem reservas à sua tão nobre missão.



O Papa Francisco, desde início da pandemia, vem enviando mensagens de fortalecimento e de encorajamento na fé para o povo de Deus nas suas homilias diárias na capela Santa Marta. Na linha da DSI, lembra em primeira linha, a importância da oração, e convida a redescobrirmos novos modos de amar e novas expressões de convivência nesta nova situação, que segundo o pontífice é uma ocasião bela de reencontrar verdadeiros afetos com uma criatividade na família. Em isolamento, podemos redescobrir e aprofundar o valor da comunhão, da proximidade e da solidariedade com os doentes e com os agentes de saúde que cuidem principalmente dos mais pobres, além de orarmos pelos idosos que estão sós. Uma receita de felicidade para tempos difíceis é, segundo Francisco, sem dúvida as bem-aventuranças, principalmente, a misericórdia. O papa reforça também a importância da solidariedade para com os agentes de saúde e os cientistas que trabalham dia e noite para combater essa pandemia.

Em tempo de Quaresma, tempo de travessia do deserto para chegarmos à Luz da Ressurreição, forçados a uma quarentena “solidária” que exige de nós um profundo respeito pelos outros – mas em que a natureza humana pode revelar o seu melhor…, ou o seu pior… – rezemos, na privacidade das nossas famílias ou na solidão das nossas casas, ou mesmo dos nossos “quartos”: «Quando orares entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á» (Mt 6-7). Que Deus que nos «vê [desse] lugar oculto» nos ilumine e nos conceda o dom da fortaleza para que encontremos novas formas de vida neste mundo que é a nossa casa…

Pelas vítimas desta pandemia, pelos grupos que mais riscos correm e pelos profissionais de saúde, os membros da Comissão Justiça e Paz e Integridade da Criação dos Missionários Claretianos do Brasil dirigem a Deus as suas orações e a sua solidariedade.

JPIC CMF BRASIL


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