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Diante da COVID-19, reafirmar a opção preferencial pelos pobres e a economia a serviço da vida

Mbaidiguim Djikoldigam , JPIC-CMF BRASIL


Entidades internacionais temem que a pandemia da COVID-19 gere uma "nova legião de pobres" no mundo, aprofundando a desigualdade e abalando os esforços para promover o desenvolvimento (Cf.a coluna de Jamil Chade do dia 23-03-2020). Para enfrentar essa eventualidade, a ONU, Unicef e OMS vão se reunir, nesta semana, para lançar um plano humanitária para lidar com a crise, equivalente ao que ocorre quando um país ou região se depara com uma guerra ou um desastre natural. Um dos temores é de que, uma vez passada a crise sanitária, empresas fortemente abaladas decidam se manter vivas demitindo milhões de pessoas.


A Igreja, no seu ensino social, resumido no Compêndio da Doutrina Social, lembra que o princípio da destinação universal dos bens “requer que se cuide com particular solicitude dos pobres, daqueles que se acham em posição de marginalidade e, em todo caso, das pessoas cujas condições de vida lhes impedem um crescimento adequado” (182). Junto a esse propósito universal, o compêndio reafirma a opção preferencial pelos pobres que é “uma forma especial de primado na prática da caridade cristã, testemunhada por toda a Tradição da Igreja”(182). Portanto “ela concerne a vida de cada cristão, enquanto deve ser imitação da vida de Cristo; mas aplica-se igualmente às nossas responsabilidades sociais e, por isso, ao nosso viver e às decisões que temos de tomar, coerentemente, acerca da propriedade e do uso dos bens”. O amor pelos pobres é «incompatível com o amor imoderado pelas riquezas ou o uso egoístico delas» (Cf. Tg 5,1-6).



Na mesma linha, o papa Francisco, diante do sistema econômico atual, regido pelas leis do mercado que favorece o individualismo e a competição, e não a solidariedade e do quadro que hoje temos pela frente (pessoas de certo poder aquisitivo fazem estoques em casa sem considerar o risco de um desabastecimento fatal para quem só pode comprar o suficiente para cada dia, dessa lógica perversa estimula a pessoa a proteger a si mesma e a sua família sem considerar a necessidade de tantas outras) não cessa de repetir ao mundo que formamos todos nós, uma única comunidade humana, morando na grande casa comum onde tudo está interligado. Deve-se, portanto, trocar a competição pela cooperação como fundamento de uma economia voltada para a vida, não para o lucro e assim, criar uma economia a serviço da vida, capaz de tomar definitivamente o lugar da “economia que mata”.


A campanha da fraternidade (CF) deste ano cujo lema é “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” é um apelo ao compromisso e à responsabilidade nosso “diante de tantos sofrimentos que vemos crescer em toda parte, que “provocam os gemidos da irmã terra, que se unem os gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo” (Carta Enc. Laudato Si’, 53), somos chamados a ser uma Igreja samaritana (cf. Documento de Aparecida, 26)...” (Cf. Mensagem do Papa Francisco para CF 2020). Atenderemos esse pedido, ou seremos insensatos a ponto de despejar rios de dinheiro para preservar o atual sistema até que sobrevenha nova crise?


Cabe a cada um de nós batizado, discípulo de Jesus, a achar a melhor forma possível para responder a essas provocações. Porém, uma coisa é certa: optar pelos pobres neste momento de pandemia e de crise, é seguir os passos do nosso Senhor Jesus Cristo e a Tradição da Igreja que deriva do Evangelho. “O amor da Igreja pelos pobres inspira-se no Evangelho das bem-aventuranças, na pobreza de Jesus e na Sua atenção aos pobres. Tal amor refere-se à pobreza material e também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa”.

A JPIC CMF encoraja cada cristão e cada comunidade a pensar vias e meios para que nenhum dos nossos irmãos e irmãs empobrecidos venha a passar necessidade e ver seus direitos serem desrespeitados nestes tempos difíceis. Ela reitere o seu apoio a qualquer ação sócio-política que tem como objetivo a “vida em abundância”.


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